
Esplendor, a melhor palavra para descrever o sentimento que transmite o Amazonas, maior rio do mundo (pela quantidade de água, sem dúvida). Majestoso rio-mar! Às vezes nos confundia, pelo seu tamanho, não deixava saber se era rio ou se era mar. A viagem de Manaus a Belém, que levou quatro dias a bordo de um navio, foi impressionante.
Fomos surpreendidos no porto de Manaus pela recusa do dono de um barco em aceitar as passagens que haviamos comprados numa agência. Lá em Manaus, pode-se comprar as passagens no guichê do porto por R$236 ou atrás do mercado público com agências pelo melhor preço que conseguir. Com a habilidade que estamos desenvolvendo na arte da pechincha, conseguimos comprar cada passagem por R$125 e esse foi o motivo da atitude do dono do barco, já que ele queria no mínimo R$170. Com toda nossa bagagem já a bordo e com tempo escasso, fomos obrigados a trocar de embarcação.
Nos instalamos no Amazon Star, agora por R$150. Um navio gigantesco, um amontoado de ferro que nos deixou em dúvida se flutuava mesmo. Péssima comida. Deixamos Manaus e logo pudemos apreciar o famoso encontro das águas dos rios Negro e Solimões, um show singular. O navio seguiu rumo leste com a correnteza a favor, sem parar noite adentro.
O principal porto do caminho é Santarém, onde o navio atracou para subistituição da carga. Do convés saíram seis lanchas e entraram algumas peças gigantes de carne bovina, que virou a sopa da última noite. O navio voltou a ativa e já passou por outro encontro de águas, desta vez o Tapajós, com suas águas esverdeadas correu separado por longo tempo das águas barrentas do Amazonas.
O ponto alto da viagem foi a travessia do Estreito de Breves, próximo a Ilha de Marajó. Além do fato da floresta estar mais próxima, toda vez que o navio passava próximo de uma comunidade ribeirinha, surgiam diversas canoas conduzidas geralmente por mulheres e cheias de crianças que faziam movimentos com as mãos e imitavam um som de bicho. Elas estavam ali pedindo comida e roupas, que eram atiradas aos montes, em sacolas de plástico, pelas pessoas do navio. "É uma forma de purificar-me. Lá na cidade eu tomo minha pinga e tá tudo certo, não tenho problemas..." dizia um companheiro de viagem que levou as sacolas já prontas para serem atiradas. Muito comovente essas cenas.
Na última noite da viagem vimos pela TV o show dos Rolling Stones na praia de Copacabana. Uma antena parabólica instalada no barco recebia as imagens e nos deixou mais próximos das mais de um milhão de pessoas que estavam no local. Ali, do coração da Amazônia, estavamos conectados àquele grande evento.
Chegamos em Belém do Pará, a terceira capital. Encontramos com nossas duas companheiras de viagem: as bicicletas e assim encerramos a primeira parte da Expedição Redescobrir. Vamos passar duas semanas aqui antes de partimos para São Luis do Maranhão e entrarmos na região nordeste.
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