6.15.2006

De Porto Velho a Manaus pelo Rio Madeira


Vento forte e neblina densa. Frio e um infinito silêncio. A vontade sempre era de permanecer na rede, aquecido, contemplando. Assim iniciavam os dias a bordo do Dois Irmãos, barco que usamos para descer quase toda e extensão do Rio Madeira, desde a cidade de Porto Velho até sua foz, no Rio Amazonas, já próximo de Manaus, em três dias.

Fomos acompanhados de muita gente, em torno de 150, entre elas, muitas crianças, com as quais nos divertíamos. Além de tomates e laranjas, que preenchiam o primeiro andar do barco. O tratamento cabia ao Seu Wilson, responsável pelo bom funcionamento do barco. Distribuía o café (às 7 horas em ponto), o almoço e a janta, sempre com seu apito, fazendo muito barulho para nos acordar e chamar todos à mesa. Também cabia a ele a limpeza do barco, dos banheiros ao chão do convés.

Assim que passava o frio da manhã, o céu se abria e começava a esquentar. Entretiamo-nos com livros e música, além das conversas com nossos companheiros de viagem. Cada um deles levava uma história. Desde Seu Raimundo, que saiu de Boa Vista/RR e foi até Paranavaí/PR, passando por Manaus, Belém, Feira de Santana, Salvador, São Paulo e Curitiba, tudo em menos de um mês. Como também Jorge. Um músico lunático que deixou sua terra, Manaus, na década de 80, para aventurar-se por São Paulo e Rio de Janeiro, atrás de fama e fortuna. Agora volta, com o violão e uma sacola, desiludido e confuso, para reencontrar a família e os amigos que não vê há 25 anos.

Outro fato interessante é a criatividade usada para batizar as crianças, vejam só: Herlon, Elaise e Heidy (três irmãos que estavam com o pai e que levavam junto dez pintinhos numa caixa); Cidele e Querolin (irmãs, esta última prefere ser chamada de Keyziane); Lierdison (o pai é caminhoneiro, estava com a mãe, que já conhece todas a capitais do país); Diurliane (mas que é chamada de Juliane); todas muito lindas e animadas, cheias de histórias engraçadas.

Após o almoço, normalmente podíamos saborear o calor do sol com a brisa fresca que fazia, indo até o último andar, onde tinha apenas um bar e três alto-falantes enormes que tocavam Banda Calypso praticamente o tempo todo, num volume pra lá de irritante.A chuva caia na parte da tarde, o que não nos impedia de aproveitar o sol se pondo, formando um espetáculo incrível com a mata e o caudaloso Rio Madeira.

A sensação, ao adentrar a Floresta Amazônica, é a de que um tesouro estivesse sendo revelado. Tamanha exuberância e perfeição são dignas de conservação. O risco que corremos é de desperdiçar um fenômeno natural tão expressivo que sua revitalização seja impossível num espaço de tempo relativo à existência humana.

Preservar é necessário.Para as pessoas que vivem na floresta e que estão substituindo seus valores pelo modo de viver industrial de consumo, o rio muitas vezes não passa de uma enorme lixeira, já que atiram tudo nele, incluindo o lixo do banheiro, que Seu Wilson joga toda vez que os limpa, duas vezes por dia.A noite cai e o silêncio inabalável da floresta só é quebrado pelo ecoar do som amplificado da Banda Calypso.Chegamos em Manaus perto da meia-noite, aportamos e dormimos mais uma noite no barco até que pudessemos descer e conhecer a cidade. Por aqui permaneceremos pelo menos duas semanas.

6 comentários:

Unknown disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Mario Sierra disse...

Hola, eu seu do Uruguai. Cuanto ´reales cuesta este viaje de Porto Velho a Manaus?
Mi blog de viajes es http://erikaymariomochileros.blogspot.com

André Alécio disse...

olá tyago

estou pesquisando sobre esta viagem e gostei muito do seu relato. só queria saber tres coisas. Qual é o preço da passagem e época que vc fez a viagem e tb se é possivel levar moto no barco?

se puder me ajudar agradeço

abraços

Vale disse...

Olá, assim como os outros comentaristas aqui, gostaria muito de saber os valores da viagem e as condições do barco... segurança, limpeza, banheiros.. estas coisas.. acredito que deve ser um passeio incrível... vc sabe se rola de depois seguir de barco de manaus para belém?? obrigadíssima...

Anônimo disse...

tb fiz essa viagem ,a passagem custa +/- 400 reais nas cabines superiores , 100 reais nas redes.tudo isso com comida não é permitido bebida a bordo. A viagem é fantastica, demora 5 dias,tudo vale a pena

odenil disse...

para VALE : tudo é muito bom como aventura,os banheiros são coletivos a mesa tb é,a segurança é boa.e é possivel ir de Manaus ate Belem . Porem vá de cabine é mais confortavel , privativo e seguro.