
Com seus quase dois milhões de habitantes, Manaus é uma metrópole que já sofre com os problemas de uma cidade grande, ou seja, desigualdade social, aumento desordenado da periferia, trânsito caótico, criminalidade, falta de saneamento, etc.
Por outro lado, é notória sua riqueza cultural. Fruto da miscigenação característica de nosso páis, mas que aqui deixa prevalecer os traços do caboco (caboclo) e do índio. Claro que com forte influência da cultura massificada que tapa os olhos e ouvidos de muita gente pelo mundo, que faz com que as pesoas ouçam uma música que sequer entendem a letra ao invés de uma linda canção regional.
Pelo fato de sua inacessibilidade por terra ao sul do país, o simples fato de chegar à cidade já é pitoresco, podendo ser somente pelo céu ou pela água, esta última, mais tradicional, tendo feito a cidade desenvolver-se à beira do Rio Negro.Os viajantes que de barco chegam, como nós, são recebidos pelo enorme porto da cidade, com seu amontoado de embarcaçãoes. Logo em seguida, encontra-se o centro antigo, onde vemos o mercado público e adiante o suntuoso e magnífico Teatro Amazonas, herança de um tempo remoto, quando havia riqueza e prosperidade na região, com a produção da borracha em grande escala.
Dentre as tantas atrações da região, elegemos as que ofereciam fonte de pesquisa e inspiração.
O Inpa (Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia), desenvolve diversos trabalhos dentro da floresta, em áreas como Ecologia e Zoologia. Pudemos conhecer o projeto do Peixe-Boi e da Ariranha, animais com sério risco de extinção, além do setor dos insetos, com uma coleção formidável, incluindo o maior besouro do mundo e mariposas com mais de 20 cm de envergadura. Este é o prinipal centro de referência de pesquisa da Amazônia.
Ao longo de três dias, fomos muito bem recebidos na Abra 144 (Aldeia Bio-Regional da Amazônia) que é uma ecovila que busca a auto-suficiência através da produção em pequena escala e busca artifícios de cooperação para se manter. O lugar fica no alto de um imenso vale, que nos presenteia com uma vista magnífica da floresta com sua paz característica.
Na volta curtimos um dia em Presidente Figueiredo, o município brasileiro com o maior número de cachoeiras. Visitamos a Cachoeira da Orquídea e celebramos a vida nos banhando em suas águas escuras.
A seguir, o IPA (Institudo de Permacultura da Amazônia). Lá, foi possível conhecer na prática diversas ações efetivas de permacultura. Todas as construções, cultivos e criações buscam o consórcio com o que o ecossistema oferece. A sustentabilidade será fruto do melhor aproveitamento da energia e dos recursos naturais. Por exemplo, lá existem apenas banheiros secos, que não utilizam água para descarga, mas sim um sistema de tratamento das fezes, que a partir do calor do sol as transforma em adubo. Também toda a água é captada das chuvas através de diversas cisternas, num perfeito reaproveitamento da matéria. Respeitando aquela lei universal de que na natureza nada se cria, tudo se transforma.
Cruzamos com diversas pessoas que estão trabalhando para presevar a Floresta Amazônica. As opiniões divergem um pouco, mas o otimismo é raro de se encontrar. A maior parte das pessoas aponta com tristeza a devastação que está ocorrendo e já começam as previsões para o fim deste ecossistema. Claro que o maior problema é a extração da madeira e a derrubada da mata para criação de gado e cultivo de soja.
A lição que tiramos é que depende de cada um de nós.
Agora, vamos começar a descer o maior rio do mundo em direção a Belém.
www.inpa.gov.br/
www.abra144.org/
www.permacultura.org.br/rbp/index800.html
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