
Em Maceió conheci o Renato, ciclista veterano que já pedalou até São Paulo e Fortaleza e, com 70 anos, foi de bicicleta até o Rio de Janeiro. Uma salva de palmas para o Renato! Um jovem, um exemplo, um campeão. Ele me arrumou um alojamento no estádio Rei Pelé, onde dormi três noites e aproveitei para conhecer um pouco da tranquila cidade.
Preparei-me pra voltar à ativa depois de duas semanas sem pedalar e enfraquecido devido à dengue. Sai de Maceió rumo à Aracaju e tive o pneu furado logo na saída da cidade. Aproveitei e troquei já que estava mesmo precisando há muito tempo. De quebra, a mãe do dono da oficina me ofereceu um delicioso almoço. Nada mal. Continuei pela estrada passando pelas praias do Francês, Barra de São Miguel e dai encarei uma estrada toda cheia de subidas e descidas que seguia paralela à praia da Lagoa Azeda. Que sufoco aquela estrada. Vinte e dois quilômetros com chuva e um sobe e desce sem fim.
A estrada terminou em Jequiá da Praia e já era hora de procurar um lugar pra dormir. Achei uma simpática e arrumada pousada chamada Thiêta do Agreste. Quanta chiqueza! R$10 por uma noite tranquila. Na manhã seguinte comi um cuscuz na esquina e montei na bicicleta. Passei por Coruripe e Feliz Deserto até chegar em Piaçabuçu numa pedalada muito prazerosa, apesar das dores que estava sentindo devido à falta de ritmo. A cidade já era na beira do Rio São Franscisco, divisa entre os estados de Alagoas e Sergipe. Dormi por ali para no dia seguinte logo cedo sair em direção à Penedo, pitoresca cidade que preserva muitas construções coloniais e simpáticas igrejas. Lá utilizei uma balsa pra cruzar o rio da integração brasileira, um lindo símbolo, ícone histórico de um povo trabalhador.
Já estava em Sergipe, penúltimo estado da Expedição Redescobrir. Depois de encarar a segunda maior subida do Brasil ganhei uma linda pedalada pelo platô de Neópolis. Linda paisagem numa estrada cercada dos dois lados por cana-de-açúcar. A produção de álcool na região é muito importante e as usinas são grande fonte de emprego. Segui passando por Japoatã até chegar na BR-101, pela primeira vez na viagem pedalava pela estrada que liga o nordeste e o sul do Brasil percorrendo quase todo o litoral. Péssimo. Isso representou um fluxo intenso de caminhões que aumentava o risco de pedalar, já que muitas vezes o acostamento não possibilitava um pedal tranquilo.
No dia seguinte de tarde já estava em Aracaju, a nona capital que conheci na jornada. A recepção não deixou nada a dever às outras que tive na viagem e mais uma vez fui surpreendido pela solidariedade humana.
Agora já tenho a sensação de que a viagem vai se encerrando, deixando dois sentimentos distintos. Primeiro a satisfação do dever cumprido, de que meus sonhos se concretizaram de uma forma poética e consistente. Por outro lado, percebo que vou sentir falta destes dias em que estive desfrutando da verdadeira, e viciante, liberdade.
Salvador me aguarda.
2 comentários:
Thi!! ou Ty!!! muito bacana, heim? Gostei muito e imagino que isso aqui deve ser apenas um brevissimo resumo do que tu deves ter pra contar no montante dessa viagem! espero ver alguma publicação mais aprofundada posteriormente! dengue, é? que bom que melhorou!
SARAVÁ!
FernandaT.
Tyago,
Saudações!!
Sei que chegaste em Salvador proque nos encontramos na Chapada Diamantina. Estou preparando as fotos, e depoius de publicá-las te mando o endereço. Até lá, comunicações via e-mail(cimoc@bol.com.br).
Luiz Eduardo
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