8.18.2007

"Welcome to New Zealand"


Um ano decorrido desde que cheguei com minha bicicleta no Farol da Barra em Salvador, estou sentado num sofá, numa casa de dois andares, num bairro chamado Fernhill, tentando manter-me aquecido, já que a temperatura lá fora está entre –1 e 5 graus. Faz pouco mais de um mês que cheguei a Nova Zelândia.

Um ano... Um ano que custou a passar. Dediquei-me a tentar de várias maneiras transmitir um pouco do muito que vi pelas andanças no Brasil. Exposição de fotos, edição de vídeo, matéria pra revista, jornal, rádio e TV. Durante esse tempo, o mapa-múndi me apontava diversas possibilidades, mas qual seria a próxima viagem?

Não sem certa angustia e indefinição que surgiu a hipótese de vir para esta terra distante, minúscula e gelada. Precisei vender minha moto e parcelei a passagem. O que vim fazer aqui? Em primeiro lugar, fui atraído pela exuberante riqueza natural. Embora as duas ilhas que formam este pais sejam pequenas, foram privilegiadas por formações magníficas, de praias a montanhas, lagos e geleiras. Um lugar perfeito para fazer o que mais gosto: pedalar e escalar. Aqui ainda vive pouquíssima gente, em torno de quatro milhões de pessoas e, por ser um pólo turístico, atrai pessoas do mundo inteiro, criando boas oportunidades de emprego. Foi assim que a Nova Zelândia brilhou no mapa.

Pra chegar aqui tive que atravessar um largo oceano, o da paz. Para tanto fui ate Santiago e de lá passei mais 13 horas voando pra aterrissar na Oceania. O que eu ainda não entendi é porque durante todo o vôo permaneceu completamente escuro do lado de fora. Uma longa e infinita noite, sobrevoando o mar. Veja bem, sai do Brasil no domingo as 16hs, vivi 22 horas contando vôos e conexões e cheguei em Auckland na terça-feira, 7hs da manhã, atordoado e confuso. Ai sim vi o sol.

Esperava-me um desafio, convencer a imigração das minhas intenções, já que não poderia dizer que vim para trabalhar, pedalar e escalar. Falei somente que vim pra pedalar e escalar, o que convenceu o oficial maori com cara de mau, que carimbou meu passaporte e disse a tão sonhada frase: “Welcome to New Zealand”, que soou como uma musica dos Beatles aos meus ouvidos. Pensei em repetir o gesto de Pelé, mas achei que não pegaria bem, recolhi minha mochila e fui ver o que me esperava do lado de fora.

Embora eu já tenha viajado até que mais ou menos, foi a primeira vez que encarava o tal do “primeiro mundo”, sempre optei por destinos menos sofisticados. A primeira vista, tudo muito organizado, preservado e desenvolvido. Sem os barracões, os mendigos e as crianças nas ruas que normalmente se vê na Bolívia ou na Índia. Alem da mão inglesa, que inverte o cérebro e que quase me fez ser atropelado por um ônibus. Encontrei o albergue que havia reservado e, como um bom sinal, ele se localizava numa linda praça cheia de plátanos, a mesma árvore que plantei junto com minha mãe na frente da janela de meu quarto em nossa casa em Londrina. Já comecei a perceber como é o neozelandês, em geral muito educado e rígido, gosta das coisas muito certas e respeita as regras. Fanáticos por rugby e beberrões com orgulho. O povo nativo é o maori, que vivem por aqui há muitas gerações e produzem ótimos seguranças de boate, verdadeiros guarda-roupas.

Optei por rumar em direção ao sul de trem, estilo clássico, sem preocupações e bem contemplativo. De Auckland a Wellington, a viagem de 12 horas atravessou toda a ilha norte passando por diversas paisagens, cenários extasiantes. Conheci um simpático velhinho que se sentou ao meu lado e foi me contando historias pelo caminho, como a da erupção de um vulcão que destruiu totalmente uma cidade na década de 50.

Na capital, tive sorte de encontrar um albergue muito alto-astral. Pelos albergues mundo afora têm-se a chance de conhecer pessoas de todos os lugares, trocar experiências, sair para uma balada, comer junto, compartilhar. Fiquei três noites e dali segui para a ilha sul, atravessando o temeroso Estreito de Cook numa balsa durante 2 horas. Pisei em terra firme para tomar outro trem, que seguiria pela costa leste. O auge do percurso foi a passagem por Kaikoura, uma belíssima região de praias onde inúmeras focas ficam sobre as rochas a beira-mar.

A terceira cidade que conheci, Christchurch, é famosa pela sua belíssima catedral, uma suntuosa construção gótica. Passei duas noites e parti de ônibus rumo às montanhas. Agora sim eu estava vendo o que tanto esperei: as paisagens de tirar o fôlego! Cadeias de montanhas imensas, repletas de neve, com matizes brilhantes e nítidas, além de simplesmente perfeitas. Lagos imensos que formulavam uma oposição entre a verticalidade branca e a horizontalidade azul. O ônibus serpenteava pela estrada e a janela transformou-se num plástico quadro em movimento.

Desci em Queenstown, a capital mundial dos esportes radicais, onde estou sentado num sofá, numa casa de dois andares, num bairro chamado Fernhill, tentando manter-me aquecido, já que a temperatura lá fora esta entre –1 e 5 graus. Faz pouco mais de um mês que cheguei a Nova Zelândia.

Um Sonho em Movimento pelo Brasil

“O homem precisa viajar. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Conhecer o frio para desfrutar do calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto”. As palavras de Amyr Klink expressam perfeitamente a inspiração que tive para sair de barco e bicicleta pra conhecer esse país que é múltiplo, alegre, bonito e, essencialmente, todo nosso.
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Tudo começou em Porto Velho, a primeira capital da viagem. Dois viajantes e suas mochilas cheias de sonhos. Lá tomamos um barco que durante três dias percorreu o belíssimo Rio Madeira até Manaus. A sensação, ao adentrar a Floresta Amazônica, foi a de um tesouro que me estivesse sendo revelado. O primeiro andar do barco estava carregado com tomates e batatas, o segundo era composto por um um mosaico de redes coloridas e no último um bar com duas caixas de som bem amplificadas tocando Calypso o dia todo. Do barco mesmo já foi possível perceber como a maior floresta do mundo está sendo dizimada. Se atitudes sérias e eficientes não forem tomadas, em breve nada restará.
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Chegando em Manaus, fomos muito bem recebidos por uma família que nos ofereceu não só hospedagem, como boa comida e novas amizades. Vi a maior coleção de insetos do mundo, o projeto Peixe-Boi, bosques de plantas da Amazônia, tomei o Santo Daime e visitei uma ecovila e um instituto de permacultura. Mas, principalmente, conheci pessoas que estão lutando pra manter a floresta de pé, já que ela é muito mais lucrativa, produtiva e útil desta forma. O risco que corremos é de desperdiçar um fenômeno natural tão expressivo que sua revitalização seja impossível num espaço de tempo relativo à existência humana.
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Dali pra frente, o maior rio do mundo, o majestoso rio-mar, Amazonas. Saindo de Manaus até o encontro das águas escuras do rio Negro com as barrentas do Solimões e de lá por uma imensidão de água e de lendas. Desta vez a embarcação era bem maior e havia muito mais gente. Da mesma forma eu era acordado todos os dias ao som dos alto-falantes que tocavam Calypso e, o mais interessante, eu já começava a gostar das músicas. As margens do rio eram bem distantes e vez ou outra era possível avistar os botos numa dança inebriante no pôr-do-sol ou uma revoada de guarás, suntuosa ave avermelhada. Após longos quatro dias aportamos em Belém, novamente recebidos por uma família local. Conheci um grupo que organiza expedições pelo Pará que nos levaram para uma grande aventura pela Ilha do Marajó.
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O universo marajoara
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Era Carnaval, tínhamos quatro dias para pedalar pela maior ilha fluviomarítima do mundo. Marajó mostrou-se um universo particular, fundindo traços de floresta e savana, além de ótimas praias de água doce. A carne e o leite provêm das manadas de búfalos, que sempre víamos na beira das estradas em terrenos alagados. Pedalamos 315kms e chegamos em Cachoeira do Arari, lugar que fica boa parte do ano inacessível devido à chuva que castiga a região. Mundos novos, dimensões inusitadas que nos mostram que viajar é bom demais.
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Deixando a floresta para trás, era hora de explorar o nordeste. O destino final era Salvador e, já que não tínhamos pressa, fomos de bicicleta. Toda a bagagem tinha que ser carregada e as preocupações principais eram quanto aos lugares pra dormir, o que comer e as melhores rotas a seguir. Viajar de bicicleta é uma experiência sensacional, que proporciona um contato muito próximo com o ambiente e desperta uma atenção especial nas pessoas, que fazem questão de conhecer os intrépidos cicloviajantes. Mais que isso, um transporte saudável, econômico e que não polue.
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A primeira parada, São Luiz, a colorida capital do Maranhão. Com um centro histórico repleto de construções antigas, ladeiras, escadarias e muita música, principalmente reggae e tambor de crioula, tradição herdada dos escravos, onde os homens cantam e tocam enormes tambores e só as mulheres dançam, rodando suas saias, formando um divertido círculo. Precisei empreender uma longa pesquisa para encontrar as melhores dicas para encarar o próximo desafio: a travessia dos Lençóis Maranhenses, de um extremo ao outro, pela praia. Como chegar? O que levar? Onde dormir? Poucos tinham essas informações, já que praticamente ninguém faz essa travessia, ainda mais de bicicleta. Encontrei um geólogo que me passou as condições de vento e terreno, me alertando sobre um rio que encontraria no meio do caminho que não sabia a largura. Em seguida, um biólogo que já havia passado por lá num 4X4, me disse que se precisasse poderia beber a água das lagoas. Um geógrafo me arrumou mapas da marinha onde numa boa escala tinha toda a região detalhada. Finalmente, um jornalista me deu todas as coordenadas para chegar numa vila isolada: Travosa.
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Travessia dos Lençóis Maranhenses
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De São José do Ribamar, município ligado a São Luiz, toma-se um barco de oito horas até Areinha, de lá uma carona num caminhão, que eles chamam de pula, até Travosa, e então a hospedagem na casa de pescadores, em redes. Tudo muito simples, precário e maravilhoso. Uma vila sem TV, internet, pouca luz e um orelhão, onde, de noite, Dona Maria, nossa anfitriã, faz uma fogueira na sala de sua casa para espantar os mosquitos com a fumaça. As crianças ainda brincam de estilingue e fazem carrinhos com latas de sardinha. Gabriel, filho de Dona Maria, não pode ver uma chuva que logo tira a roupa e corre pelado feito um maluco. E não leva bronca. Os rapazes mais velhos, em torno de 25 anos, nunca tinham visto protetor solar na vida e têm de seguir a única opção de trabalho por lá: a pesca. Dona Maria reclama que não agüenta mais comer peixe todo dia, desde que nasceu. Duas coisas chegaram não só ali como em quase todos os lugares que passei, mesmo nas comunidades ribeirinhas da Amazônia. Primeiro, a pinga, o que causa muitas brigas e mortes, ainda mais onde as pessoas não tem muito que fazer. Segundo, na única rua de areia que mede não mais de 100m tem uma construção de alvenaria, talvez a única do lugar, uma igreja evangélica.
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Após quatro dias, saímos bem cedo, antes de clarear, para pegar a primeira maré baixa do dia. Atravessamos as dunas e começamos a pedalar na areia da praia perto das seis da manhã. Não se via nada de diferente a não ser o mar do lado esquerdo, uma imensidão de areia, sem fim nem começo, à direita e raríssimos pescadores. A preocupação era em chegar no Rio Negro, que dividia exatamente em duas partes nosso trajeto. O avistamos aproximadamente ao meio-dia. Era gigante! Tentamos achar saídas para passar e quase fui levado pela correnteza. Não tinha ninguém para ajudar. Afundávamos nossos pés no fundo de lama e a maré estava enchendo. Finalmente achei uma opção que poderia ser a única. Conseguimos passar com as bikes sobre as cabeças tateando o fundo do rio. Mais três viagens e estávamos com tudo do outro lado, ainda na metade do caminho e com a maré cheia. A opção era esperar e seguir de noite, com a lua cheia para nos guiar.
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Quando o sol se pôs eram 18h e a maré começava a baixar, deixando a faixa de areia rígida boa pra pedalar. A lua surgiu brilhante e foi nosso farol pelos 30km que tínhamos que cumprir. Vencemos diversos obstáculos, como lages de pedra, montes de algas que prendiam nas rodas, vento e a sensação horrível de ver uma luz distante que parecia nunca se aproximar. Feito ilusão, cerca de 10 da noite, 17 horas depois de nossa saída, encontramos uma pousada mais perdida que a gente no meio de toda aquela areia. Tomamos banho, de balde, comemos muito e pudemos esticar nossos corpos em confortáveis redes.
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O dia seguinte prometia mais aventura. Com a chuva que caía na época, as dunas estavam bem firmes. Só precisávamos esvaziar um pouco os pneus e deixá-los “bochechudos”. Subíamos até o alto das dunas empurrando as bicicletas e, lá de cima, descíamos com toda a velocidade dropando pela areia. Vez ou outra parando para nadar nas lagoas e para tirar fotos. Um dia perfeito, sem dúvida. Chegamos no nosso destino, Barreirinhas e tivemos bastante tempo para descansar e nos renovar para seguir. O próximo passo era atravessar o Delta do Parnaíba, uma bela viagem de oito horas que é um zigue-zague pelos milhares de canais que o rio forma antes de juntar-se ao oceano.
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Tocando em frente
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O Piauí tem o menor litoral do país, mas mesmo assim exibe lindas formas, como a Lagoa do Portinho. Atravessamos o estado alcançando o Ceará em três dias, o sexto estado da viagem. Seguíamos pela praia, o que foi uma boa escolha nas praias cearenses de beleza estonteante. As surpresas se somavam, como um velho pescador que, questionado quanto à distância para a praia seguinte, não hesitou em responder: “Faltam sete léguas!”. O único problema é que não tínhamos nem idéia de quanto vale uma légua. Fomos de Camocim a Jericoacoara e nos surpreendemos com a magia envolvente deste parque nacional. Chegamos por um caminho não convencional, dando de cara com a duna que enfeita a praia e o agito do pôr-do-sol, sem dúvida um dos clássicos de nosso país, já que Jeri tem o privilégio de ver o sol se esconder no mar, fato raro em nossa costa voltada para o Atlântico. Íamos ficar três dias, fomos embora depois de duas semanas, melancólicos devido à saudade de um lugar como aquele.
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As coisas começaram a mudar. Após muito tempo de viagem, os desgastes emocionais, psicológicos e físicos começaram a se somar. Após passarmos por Fortaleza e Canoa Quebrada tive que continuar a viagem sozinho. Solitário sobre duas rodas. Uma alternativa que me proporcionou dificuldades, mas por outro lado me senti mais livre, além do que as pessoas se mostraram ainda mais abertas a colaborar. Nunca esquecerei um momento de dificuldade em que pedi carona e, logo que entrei na cabine do caminhão, ouvi uma música que só dizia “Tudo vai dar certo”. E deu.
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Passei pela próspera capital potiguar, Natal, e pedalei até Pipa. Se tivesse ido de avião ou ônibus não teria visto uma surpresa no caminho, o maior cajueiro do mundo, de 8.000m2, que fica na cidade de Pirangi e alimenta toda a cidade quando dá frutos. Se tivesse ido de avião ou ônibus também não teria tomado a gelada chuva que me castigou no caminho. Mas o céu abriu e cheguei em Pipa maravilhado com a beleza da Baía dos Golfinhos e impressionado com a especulação imobiliária que compromete nossas riquezas. Construíram um hotel de luxo sobre uma falésia que faz parte de uma área de proteção permanente e num terreno que poderá certamente ceder. Fora os barcos a motor cheios de turistas que espantam os golfinhos e as tartarugas que usam as praias para pôr seus ovos.
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“Minha vida é andar por esse país...”
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O mês de junho é a época perfeita para aproveitar as melhores festas do Nordeste, celebrando o São João que contagia as grandes e pequenas cidades, que se enchem de cores, danças e sabores. O próximo estado seria a Paraíba e, como já tinha visto praias demais, resolvi seguir pelo interior e conhecer as cidades de Campina Grande e Caruaru. Em Caruaru, o dono de uma loja me deu várias peças que estavam quebradas em minha bike, um gesto nobre que me incentivou a seguir viajando. Pude pedalar até a capital pernambucana, Recife, onde as festividades de São João continuavam, somadas a contagiante torcida pela seleção na Copa do Mundo.
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Pedalei até Porto de Galinhas e após dois dias comecei a sentir-me mal e tive febre. Logo fiquei sabendo o que era: dengue. Depois de dez dias, recuperei-me e voltei à estrada para chegar ao estado seguinte, Alagoas. A expectativa para chegar à Bahia crescia. Passei rápido por Maceió e atravessei a divisa com Sergipe em Penedo, nada mais nada menos que o Rio São Francisco, símbolo nacional da integração e bravo guerreiro que faz uma longa jornada e ali perto vai descansar no mar.
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Em Aracaju, uma nova amiga, gaúcha, hospedou-me em sua casa. Faltava um último desafio, a Linha Verde, que oferece uma opção paralela ao mar pra chegar em Salvador sem precisar encarar o caos da BR-101. A estrada segue por Conde, Sauípe, Praia do Forte e Arembepe, onde existe uma aldeia hippie que desde a década de 60 resiste à invasão dos grandes resorts e sequer tem eletricidade. Dali um pulo até a derradeira capital, onde depois de seis meses um grande sonho tornou-se realidade.
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Cheguei pedalando ao Farol da Barra, local que escolhi como ponto final da jornada. Sentei para ver o sol se pôr na Baía de Todos os Santos, saboreei um delicioso acarajé e relembrei todas as etapas, desde quando a viagem era apenas uma idéia no papel até os momentos mais difíceis que me levaram até ali. Senti um gosto inexplicável de vitória e de realização. Agora sim, podia voltar pra casa.
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